quinta-feira, 23 de julho de 2020

E ela se queria entregar a ela mesma como tantas vezes no passado fez. Quando só ela sabia arrancar de si mesma o prazer máximo.
Mas não sabe mais, ele a domou. Ele domou os seus sentidos, ele arrancou dela a experiência de se ter.
E sem ele ela já não sabe como, ela já não o consegue superar. Ela perdeu se de si mesma, ele a roubou e não a devolveu.
E a distância não lhe permite se recuperar ou permitir que ele a tome como sua como o fez vezes sem conta.
E ela permanece assim cheia de si mas vazia dele, cheia de alertas aos seus sentidos mas impossibilitada de os satisfazer.

Será que ele sabe o quanto levou dela com ele? O quanto dele está impresso nela mas inacessível?

Ela se revolta, ela não queria ter se impresso nele, ela desejara aquela entrega como nunca. Era o que ela sempre mais quisera na sua vida mas ao mesmo o que mais temia. Temia não se recuperar a si, temia perder a possibilidade de voltar a se imprimir nele, mas mais grave temia que ele já não a quisesse para ele.

Os seus sentidos gritavam de dor de não o ter por perto.

In 'Diario dos Sentidos' - Ana Luísa Ribeiro

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Saudades de tremer nos seus braços, de entregar os seus doces lábios a um tormento de sensações. Nunca na sua vida alguém lhe tocou tão profundo com apenas um toque dos lábios quanto ele. Como se o seu beijo fosse uma chave mestra para despertar o seu interior, fazendo-o ferver, como numa transmutação alquimica tornando a pedra em ouro líquido.
Era assim que ela se sentia nos seus braços, sem domínio do processo, não era ela que se transformava em ouro, era o toque dele que tal como midas a transformava.
As saudades transtornam o seu coração e os seus sentidos.



quarta-feira, 29 de maio de 2019

´ E da sua mente o corpo desperta, de si mesma ela arranca o sussurro do sangue que a aquece. O corpo transmuta algo que ela própria já não controla.'
Interpreta-me

´'Expõe- me ao escrutínio da tua análise. 

Submete-me ao poder dos teus sentidos. Subjulga-me ao sabor da tua mente. Traduz-me por palavras naquilo que julgas conseguir reter de mim.
Serei mais forte do que pensas, mais doce do que serás capaz de sentir, mais intensa do que poderás suportar. 
Mas mesmo assim, convido, interpreta-me.'



´E porque de Nera
(terra), Lumus (fogo) , Lol (ar) e Lá (água) somos feitos, em nós a união do divino.
É Shakta e Shaktí diluído como se de uma mesma melodia se tratasse ou o mesmo som por entre as ondas dos sentidos'


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

'Como se guardasse em si a essência do outro, torturando-a, desfazendo-a em mil momentos perfeitos, deixando-a sedenta pela sua própria natureza. Permitindo que dela se transforme o toque em seda, o calor da pele em água, a sede em abundância, o arquear da pele em chamamento.'

'No limite dos Sentidos


Deixando que subitamente brotasse a verdade de si mesma, deixando que os seus véus caíssem, e a vissem na sua nudez real. Transformando o seu sentimento nela mesma, e , permitindo que o seu abismo fosse derrubado. E que por meio de si a transmutação alquimica do seu sangue em amor, da essência do seu corpo e mente em míl partículas de ternura, da verdade das suas palavras que caem de seus lábios como se fossem gotas de mel'